Coleta seletiva
A coleta passa em dias diferentes para tipos diferentes de lixo (recicláveis secos, orgânicos, rejeitos). A pessoa separa em casa, a prefeitura recolhe e cada parte segue seu caminho. Em Florianópolis, isso existe desde 1994.
Antes de propor solução, queremos entender o tema. Como o lixo se move pela cidade, quem trabalha com ele, o que diz a lei, o que mostram os números. Essa é a primeira etapa do trabalho.
Florianópolis está na lista das 20 cidades Lixo Zero do mundo. É a única cidade sul-americana nesse grupo.· Selo Lixo Zero · Folha de Florianópolis · 03/2026 ·
Antes de olhar para os números, vale entender o vocabulário. O que estamos chamando de “gestão de resíduos recicláveis”, de onde isso vem e por que virou um tema central agora.
Resíduos sólidos recicláveis são materiais descartados que ainda podem voltar para o ciclo produtivo. Papel, plástico, vidro, metal, eletrônicos.· definição operacional · Lei 12.305/2010 ·
A coleta passa em dias diferentes para tipos diferentes de lixo (recicláveis secos, orgânicos, rejeitos). A pessoa separa em casa, a prefeitura recolhe e cada parte segue seu caminho. Em Florianópolis, isso existe desde 1994.
Quando o produto chega ao fim da vida útil, ele volta para o fabricante. A lei obriga isso para pilha, pneu, lâmpada, óleo lubrificante, eletrônicos e embalagens de agrotóxico.
Em vez de extrair, produzir e descartar, a ideia é manter materiais em uso pelo maior tempo possível. É a base conceitual da PNRS e do programa Florianópolis Capital Lixo Zero.
Profissão registrada no CBO (5192-05). No Brasil, são as catadoras e catadores informais que fazem dois terços de toda a reciclagem feita no país. ABREMA · Panorama 2025
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) coloca reciclagem em quarto lugar. Antes dela vêm não gerar, reduzir e reutilizar. A ordem importa.
Florianópolis começou a coleta seletiva pública em 1994, antes da maioria das capitais brasileiras. Trinta anos depois, o problema continua aí.
Brasil sem política nacional de resíduos. Predominância de vazadouros sem controle ambiental. Reciclagem feita quase exclusivamente por catadores informais.
Florianópolis implanta projeto piloto de coleta seletiva em três regiões com perfis socioeconômicos distintos. Base experimental para o programa municipal.
A cidade torna-se uma das primeiras capitais do país a instituir a coleta seletiva pública porta a porta como serviço regular da prefeitura.
Associação de Coletores de Materiais Recicláveis começa a operar em parceria com o poder público. Hoje é a maior entre as 14 associações da Grande Florianópolis.
Política Nacional de Resíduos Sólidos é sancionada. Institui hierarquia de gestão, logística reversa, planos municipais obrigatórios e responsabilidade compartilhada.
Florianópolis consolida o desenho operacional da coleta seletiva no município, integrando-a ao Plano Municipal de Gestão Integrada (PMGIRS).
Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos é instituído para o período 2018-2021. Em revisão completa desde 2024 para alinhamento à PNRS.
O programa estabelece a meta de desviar 90% dos orgânicos e 60% dos recicláveis secos do aterro até 2030. Também cria o GIRS, grupo interinstitucional que coordena tudo isso.
Prefeitura conduz revisão completa do plano por meio de oficinas participativas. R$ 10 milhões anunciados para acelerar metas de Lixo Zero. Nove ecopontos em operação. REPLAN · PMF
Florianópolis recebe o selo Lixo Zero. É a única cidade sul-americana no grupo. No continente americano, divide o reconhecimento com San Francisco. Hoje a capital tem a maior taxa de reciclagem entre capitais brasileiras. Folha de Florianópolis · 2026
Os números abaixo vêm de ABREMA, IBGE, COMCAP e prefeitura. Servem para situar o tamanho do problema antes de discutir qualquer coisa.
Não estamos partindo do zero. Existem leis, planos e organizações que tratam do tema há anos. Abaixo, as principais peças desse arranjo.
Política Nacional de Resíduos Sólidos. Institui hierarquia de gestão, logística reversa obrigatória, planos municipais e princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos. Planalto · texto da lei
Regulamenta a PNRS. Detalha a aplicação prática da logística reversa e a estrutura dos planos municipais. IBAMA · PNRS
Inclui resíduos sólidos no novo marco regulatório. Pressiona municípios a regularizar a cobrança pelo serviço público de manejo. Planalto · texto da lei
Plano Municipal de Coleta Seletiva. Define o desenho operacional do serviço de coleta seletiva em Florianópolis, integrado ao PMGIRS. PMF · PMGIRS
Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Vigência original 2018-2021, em revisão completa desde 2024 com oficinas participativas. REPLAN · revisão
Institui o programa Florianópolis Capital Lixo Zero, cria o GIRS (grupo interinstitucional) e fixa as metas para 2030. PMF · programa
Estabelece diretrizes para valorização de resíduos sólidos no município, com foco na economia circular. LegisWeb · texto
Autarquia municipal responsável pela coleta, transporte e destinação dos resíduos sólidos urbanos. Movimenta cerca de 210 mil toneladas por ano.
Conduz a política ambiental municipal, coordena o programa Florianópolis Capital Lixo Zero e a revisão do PMGIRS.
Grupo Interinstitucional de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos. Articula prefeitura, sociedade civil, universidades e setor privado em torno da meta Lixo Zero.
Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina. É o órgão estadual de licenciamento e fiscalização ambiental.
Associação de Coletores de Materiais Recicláveis. Fundada em 1999, é a maior das 14 associações da Grande Florianópolis. Responde por mais da metade do volume triado na cidade.
Distribuídas pela Grande Florianópolis. Cerca de 240 famílias envolvidas. Recebem em doação todo o material da coleta seletiva pública.
Articula nacionalmente catadores e catadoras de materiais recicláveis. Atuação histórica no reconhecimento da profissão e na defesa de políticas inclusivas.
Universidade desenvolve o “Método UFSC” de compostagem, adotado pelo município, e estudos de caracterização gravimétrica.
Instituto Lixo Zero Brasil (com sede em Floripa), Boomera, Floripamanhã e outras articulam pautas de redução, compostagem doméstica e educação ambiental.
Atende toda a área urbana do município com frequência semanal, em geral. Roteiros publicados pela COMCAP por bairro.
Pontos de entrega voluntária distribuídos pela cidade. Atendem mais de 14 mil usuários por mês e desviam mais de 11 mil toneladas por ano do aterro.
Programa específico, com baixíssima taxa de rejeitos (cerca de 2%). Modelo de referência para a separação na fonte.
Aplicado em escala domiciliar, comunitária e centralizada. Hoje são cinco iniciativas em operação: quatro pátios descentralizados e um centralizado.
Galpões para separação fina dos recicláveis secos coletados. Empregam cerca de 200 famílias.
Programa específico para resíduos verdes domiciliares. Calendário publicado por bairro pela COMCAP.
Quem vive o problema na ponta tem informação que nenhum relatório captura. Esta seção registra a estratégia de aproximação do grupo e abre espaço para o que ainda será ouvido.
Para atingir a meta temos de aumentar cinco vezes a coleta seletiva de secos e quinze vezes a de compostáveis.
O cumprimento das metas pode significar aumento de até 50% na renda dos catadores. É emprego, é dignidade.
O aterro é licenciado e um ponto de destino final ambientalmente adequado, porque tem centro de controle de chorume e gases.
Ainda sem propor solução. Por enquanto, o grupo só ouve e observa, em três frentes diferentes de aproximação.
Com vizinhos, porteiros, comerciantes do bairro. Como cada um lida com o lixo de casa? O que mais incomoda? Quais hábitos já existem que poucos sabem que existem?
Passar por ecopontos, lixeiras públicas e dia de coleta seletiva em diferentes bairros. Que separação chega de fato? Onde a mistura quebra o processo?
Conversas mais estruturadas com triadoras da ACMR, gestores da COMCAP/SMMA e moradores ativos em iniciativas comunitárias de compostagem.
Matérias da imprensa local, relatórios do PMGIRS e teses recentes da UFSC sobre o tema. Cruzamento entre dado oficial e narrativa pública.
Quem trabalha na ponta da reciclagem. ACMR e outras associações. Sabe exatamente o que chega misturado e por quê.
Perfis diversos por bairro, idade e tipo de moradia (casa, apartamento, condomínio). A diversidade revela barreiras diferentes.
Equipes da COMCAP e da SMMA. Que dificuldades operacionais enfrentam? Onde a política bate na realidade?
Coletivos, ONGs e moradores que já organizam compostagem comunitária, hortas e ações educativas no bairro.